Dívidas de Berardo colocam o milionário na falência

Publicado a 28 Fevereiro 2013

Saiba o que que se passou com o milionário português Joe Berardo. Descubra quais são as dívidas que fizeram emagrecer a sua fortuna. Conheça a história do milionário madeirense que esteve para comprar parte do Benfica.

Ao contrário do que muita gente possa pensar, o milionário Berardo está mesmo falido. Graças ao desastre que foi a performance do BCP entre 2007 e 2012, as ações do BCP, que o milionário comprou em 2007 com os 1000 milhões de euros emprestados pelo Millennium BCP, Banco BES e Caixa Geral de Depósitos, neste momento valem menos de 90 milhões. O BCP e a CGD emprestaram cada um cerca de 400 milhões de euros, enquanto o BES emprestou um montante inferior a 200 milhões de euros, segundo a notícia do Expresso.

Face a esta dívida difícil de cobrar criada por Joe Berardo, os bancos CGD, BES e BCP já desistiram de recuperar a dívida total, tendo neste momento optado por chegar a acordo com o empresário para pagar apenas o dinheiro emprestado, sem haver lugar a pagamento de juros. Para assegurar este negócio, 75% da Coleção Berardo – um acervo de 862 obras de arte moderna e contemporânea avaliado em cerca de 320 milhões de euros em 2007, foram usadas como garantia. No total acabou apenas por entregar como colaterais, os ativos detidos em Portugal, deixando de fora a Quinta da Bacalhôa.

História do milionário Berardo

O comendador Joe Berardo, como era chamado, depois de ser condecorado em 1979 por Ramalho Eanes e em 2004 por Jorge Sampaio, é o sétimo filho de uma família pobre e conservadora.

Aos 18 anos partiu da Ilha da Madeira, onde vivia, para a África do Sul, depois de passar cinco anos na Madeira a ganhar dinheiro com um emprego que tinha no Madeira Wine, onde a sua função era rotular garrafas de Vinho Madeira. Além disso, também servia à mesa nas reuniões do conselho de administração da empresa, entre outros biscates.

Já na África do Sul, em 1968, passou uma fase inicial de travessia do deserto africano, onde aprendeu inglês e afrikaaner, e entre como assalariado num negócio local de venda de legumes.

A partir do golpe do ouro, através da compra de terrenos baratos, que inicialmente se pensava que não valiam nada, mas que mais tarde revelaram conter uma fortuna no solo, o dinheiro foi produzindo ainda mais dinheiro. Berardo entrou em vários negócios: petróleo, papel, diamantes, mármores, e outros. Ainda jovem, no dia em que visitou a sua primeira mina de diamantes, acabada de comprar, foi encontrada uma pedra enorme que pagava de imediato a maior parte do investimento.

No final dos anos 80, com o clima social a ficar ainda mais agreste na África do Sul, o português decidiu começar a investir noutras paragens. Pleno de liquidez, entra em força em Portugal ao comprar, em 1987 a Empresa Madeirense de Tabacos, entra na Caixa Económica do Funchal (Banif), compra o Monte Palace e também o Hotel Savoy.

Depois de ganhar muito dinheiro a especular na bolsa de valores PSI20 e em outros investimentos, o negócio da compra de ações do BCP foi o responsável por colocar Berardo em situação de incumprimento, tendo perdido milhões de euros após a guerra de poder no BCP e também devido à exposição do banco à dívida da Grécia.